TRF4 recebe o monólogo teatral Ícaro

09/08/2018
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • TRF4 no Flickr
  • Assine o RSS do TRF4

“Eu cai, mas não foi agora, foi há muitos dias atrás. Na verdade, eu já cai milhões de vezes, eu já levei muito tombo nessa vida. Eu já cai pra trás, capotado, pro lado, pro outro lado e até pra frente. O primeiro tombo foi no hospital, numa tentativa de eu provar pra mim mesmo que era mais do que tudo aquilo que tinha acontecido comigo”. Foi com essa narrativa que Luciano Mallmann iniciou, na tarde de hoje (9/8), o monólogo teatral Ícaro, no auditório do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

Ícaro é um monólogo formado por depoimentos ficcionais de pessoas cadeirantes, construído a partir da visão, das experiências e percepções sobre a deficiência do autor e ator Luciano Mallmann, que se tornou um lesado medular ao sofrer um acidente há 14 anos.

O monólogo surgiu com a necessidade que Mallmann sentia de voltar a atuar. Segundo o ator, a forma mais simples de voltar trabalhar era ele escrever, produzir a si próprio e ir para a cena, pois se candidatar a vagas seria mais difícil. 

Mallmann contou que Ícaro é um trabalho do qual ele tem muito orgulho, pois ele pode falar sobre a deficiência e juntar a arte com isso. “Poder aproximar o universo da deficiência através desses vários personagens com o público é incrível, pois muita gente não tem idéia do que é estar em uma cadeira de rodas ou até mesmo o que é uma lesão medular”, ressaltou o ator.

Após o término do monólogo, o presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão (CPAI) e ouvidor do TRF4, desembargador federal Roger Raupp Rios, juntou-se a Mallmann para iniciar um debate sobre cidadania, acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência.

De acordo com o presidente da CPAI, a ideia desses eventos no tribunal não é fazer atividades episódicas, umas separadas das outras, mas criar uma cultura, uma percepção, para ficarmos mais atentos para essas questões, pois assim transformamos uma cultura institucional.

“Ouvir a história uns dos outros nos dá a chance de sair dessa loucura abstrata que nos faz cego para enxergar o outro, porque às vezes vivemos em um ambiente que parece que tudo é correto, mas em certas situações as pessoas fecham os olhos”, conclui o desembargador.

Participaram do evento, magistrados, servidores, estagiários, colaboradores das empresas terceirizadas da Justiça Federal de 1º e 2º Graus e convidados, representantes de entidades da sociedade civil e de órgãos públicos, que trabalhem com acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência.