Novas Tecnologias

Curso de inteligência artificial capacita servidores do TRF4 que trabalham com o sistema eproc

11/10/2019
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O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) está investindo na capacitação de seus servidores para trabalhar com as inovações de inteligência artificial que estão sendo implantadas no sistema de processo judicial eletrônico da Justiça Federal da 4ª Região, o eproc. Desde o final de setembro (23/9) uma turma de servidores do setor de Tecnologia da Informação (TI) da corte está realizando um curso de formação em inteligência artificial.

Os encontros do curso “Fundamentos de Aprendizagem de Máquina e de Processamento de Linguagem Natural” têm como objetivo preparar os funcionários para lidar com as atualizações do eproc e as novidades futuras do sistema que contarão com recursos de inteligência artificial. A iniciativa é promovida pela Diretoria de TI juntamente com o Núcleo de Capacitação.

As aulas são ministradas pelos professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mariana Recamonde Mendoza Guerreiro e Bruno Castro da Silva e acontecem na sala de cursos no 2º andar do prédio sede do TRF4, em Porto Alegre. O curso se estende até o final do mês de outubro.

Guerreiro é professora no Departamento de Informática Aplicada do Instituto de Informática da UFRGS e possui doutorado em Ciência da Computação pela mesma universidade, com período sanduíche no Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos Estados Unidos. Ela também realizou estágio pós-doutoral em Bioinformática no Centro de Pesquisa Experimental do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Castro da Silva é professor da UFRGS, onde desenvolve pesquisa nas áreas de inteligência artificial e de robótica. Trabalhou como pós-doutor no desenvolvimento de veículos voadores inteligentes no MIT e é doutor em Ciências da Computação pela Universidade do Massachusetts. Também foi pesquisador visitante no Laboratório de Neurociência Computacional, em Roma, Itália, desenvolvendo técnicas de inteligência artificial para uso em robôs humanóides.

“Partiu da própria Diretoria de TI a ideia de buscar uma parceria com os professores da universidade para que a nossa equipe tivesse uma base de conhecimento melhor a fim de aplicar a inteligência artificial de maneira adequada nos nossos projetos. Assim podemos lidar de forma correta e científica com os algoritmos e também fazer um alinhamento de todos os servidores em relação aos conhecimentos nessa área. Precisamos capacitá-los para lidar com os desafios de trabalhar com a tecnologia de inteligência artificial”, explicou Marlon Barbosa Silvestre, diretor da Secretaria de Sistemas Judiciários e aluno do curso.

Resolução de problemas

“Os órgãos têm demonstrado interesse em começar a resolver os seus problemas utilizando a inteligência artificial. É isso que o tribunal está fazendo com a iniciativa do curso. Gostaríamos que a equipe conhecesse a área e entendesse como funciona o aprendizado de máquinas, quais são os algoritmos, como eles funcionam, que problemas eles resolvem e quais são as limitações. Queremos nivelar o conhecimento deles para ajudá-los a trabalhar com essas novidades e a tomar decisões quando utilizarem essas tecnologias”, disse a professora Guerreiro.

Já Castro da Silva destacou que a “área de aprendizado de máquinas historicamente era muito restrita as universidades, um tema de muita pesquisa, mas com poucas aplicações práticas. Nos últimos anos foram descobertos e aperfeiçoados vários algoritmos que permitiram empresas e órgãos públicos a utilizar essa tecnologia para analisar grandes volumes de dados e automatizar diversos padrões de trabalho, como no caso do TRF4 a criação de uma inteligência artificial que vá pré-analisando os processos que chegam aqui, para ganho em economia de tempo”.

Conhecimento teórico para o trabalho prático

Os professores resumiram o objetivo principal que buscam atingir com a capacitação: para Guerreiro a ideia do curso é que “os servidores possam entender a parte teórica para então na prática melhorar a aplicação dos métodos para as questões que eles têm que abordar na rotina de trabalho do tribunal”.

Para Silvestre, “o curso consegue nos mostrar que para cada problema muitas vezes nós temos soluções distintas, então é importante sabermos que nem sempre teremos as mesmas respostas se usarmos determinadas soluções na área de inteligência artificial. Dessa forma, o enfoque é aprendermos qual a melhor abordagem que vamos usar para resolver determinado problema que possa surgir nos nossos projetos futuros”.

A importância do conhecimento teórico foi ainda reforçada por Castro da Silva que explicou que “uma coisa que tentamos fazer nas aulas é desmitificar um pouco essa área para os alunos, porque ela atualmente tem um embasamento matemático e teórico muito sofisticado, então é necessário que eles tenham o conhecimento para entender a fundo as técnicas e as aplicações e saber quando elas funcionam e quando não funcionam, dessa forma vão garantir o desempenho e os resultados desejados do sistema”.

Sobre a experiência de trabalhar com os servidores do setor de TI do tribunal, os docentes ressaltaram que os resultados têm sido bastante positivos. “A equipe de informática do TRF4 tem um conhecimento técnico em computação muito forte, então podemos aprofundar o conteúdo do curso de uma forma boa, o que torna a experiência de capacitação mais proveitosa e muito produtiva”, declarou Castro da Silva.

A troca de ideias entre os professores pesquisadores e a equipe do TRF4 que as aulas permitem é um aspecto elogiado por Guerreiro. “Pela interação com os servidores nas aulas, a gente vai entendendo quais são os problemas e as demandas que eles precisam resolver ao lidar com os processos, assim sabemos de que forma eles precisam utilizar a inteligência artificial. O curso está sendo muito interessante e é uma prova de que essa tecnologia está sendo muito aplicada em várias instituições”, ela apontou.

Parceria Institucional

A colaboração entre os docentes da UFRGS e os técnicos do TRF4 para a disseminação do conhecimento e aprimoramento da utilização da inteligência artificial na administração pública e na prestação jurisdicional é uma iniciativa com resultados que vão beneficiar a sociedade de forma geral.

“O curso é um exemplo de como a parceria da universidade com o tribunal pode dar certo. Podemos ajudar a utilizar essas tecnologias desenvolvida nas pesquisas universitárias em situações que estão sendo enfrentadas por outros órgãos públicos. Estamos colaborando na formação de recursos humanos para que posteriormente as soluções das demandas sejam formuladas pelos servidores”, afirmou Guerreiro.

Silvestre avalia da mesma maneira a integração entre as instituições: “essa parceria proporciona um ponto fundamental que é o contato da parte teórica com a prática. Tem todo o estudo e o conhecimento que é desenvolvido pelas universidades se unindo com a prática do dia a dia que está no judiciário, o que torna toda a experiência muito exitosa”.

Já Castro da Silva concluiu destacando que “a parceria entre órgãos federais, no caso UFRGS e TRF4, contribui muito para levar esse campo da inteligência artificial para a resolução de problemas da sociedade, estendendo a nossa contribuição para um público ainda maior”.