JFRS | Além das Grades

Palestra “História Social do Crime” abre exposição no Memorial da JFRS

18/05/2026 - 10h56
Atualizada em 18/05/2026 - 11h15
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Na tarde da última quinta-feira (15/5), a historiadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Cláudia Mauch, apresentou a “História Social do Crime" no auditório do prédio-sede da Justiça Federal do RS (JFRS), em Porto Alegre, com transmissão ao vivo. O evento marcou o lançamento da exposição "Além das Grades: Memória, Justiça e Reintegração" no Memorial da instituição. 

Na abertura, a diretora do Foro da JFRS, juíza Ingrid Schroder Sliwka, pontuou que a exposição foi organizada pela Comissão de Gestão da Memória e será dividida em duas temporadas, sendo a primeira delas inaugurada naquele dia e a próxima, em outubro. “Essa iniciativa vem em conjunto com a celebração pelo Dia da Memória do Poder Judiciário”, comemorado no dia 10 de maio a partir de resolução do Conselho Nacional de Justiça. “O objetivo principal deste dia é promover o resgate, preservação e a divulgação do patrimônio histórico e jurídico, consolidando assim a memória institucional do Poder Judiciário”. 

A coordenadora da Comissão de Memória, juíza Andréia Castro Dias Moreira, falou sobre a primeira temporada da exposição, que apresenta a evolução do sistema carcerário por meio de fotografias e textos expositivos, reunindo imagens e reportagens de periódicos antigos.”Ao abordarmos a história do sistema prisional em Porto Alegre, é inevitável perceber como cada período da cidade deixou marcas em suas formas de encarceramento”. Ela ainda pontuou que a mostra traz processos da primeira fase da JFRS, de 1890 a 1937, e do Arquivo Público do Estado, e apresenta as principais operações deflagradas pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul. “Ao revisitar episódios marcantes da história criminal e penitenciária do estado, esta exposição convida o público à reflexão sobre os desafios permanentes da justiça, da segurança pública e da garantia dos direitos fundamentais”. 

O juiz Roberto Schaan Ferreira, da 11ª Vara Federal de Porto Alegre, foi o mediador da palestra. Ele pontuou que já esteve muitas vezes, e ainda estará tantas outras, naquele auditório para presidir sessões do Tribunal do Júri. “O que há de encantador em estar aqui agora — já que nós, no dia a dia do Direito Penal, nos restringimos tanto a examinar os elementos do tipo e as prescrições exatas da lei — é abrir este horizonte e falarmos em história social do crime, abrindo completamente essa nossa mentalidade para perceber que tudo se insere num âmbito muito maior.” 

Palestra

Em sua fala, a historiadora Cláudia Mauch trabalhou os seguintes temas: a historicidade do crime e das instituições da justiça criminal, a história social do crime, e a importância dos arquivos do crime. Percorrendo os significados e discursos sobre delitos ao longo do tempo, a palestra tratou das modificações sociais que influenciaram a definição de crime, e as marcas que ele deixou na sociedade. 

Segundo a professora, a história do crime inclui temas e perspectivas amplos, como instituições (polícia, justiça, prisão), práticas sociais associadas a ilegalismos, imaginários coletivos, ou representações do delito e do castigo. “Historiadores da questão criminal são historiadores sociais, culturais ou políticos, em sua maioria, que usam os arquivos do Poder para pesquisar práticas ilegais e vidas consideradas marginais em determinada época, sempre a partir de preocupações ancoradas no presente”, pontuou.

Em uma abordagem compreensiva da historiografia social brasileira, a professora convidou o público, presencial e remoto, a refletir sobre a atual definição jurídica de crime, e se ela abarca o que foi historicamente pensado como crime. Também, destacou a importância da preservação dos arquivos para a pesquisa histórica e a preservação da memória.

Núcleo de Comunicação Social da JFRS (secos@jfrs.jus.br)


Uma imagem em plano médio mostra quatro pessoas sentadas em poltronas escuras durante um painel na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, com um homem à esquerda e três mulheres ao centro e à direita. A mulher ao centro segura um microfone e fala, enquanto ao fundo se vê uma parede preta com o brasão da República e letras douradas, além de uma tela de projeção à direita exibindo o título
Abertura da exposição aconteceu no auditório da sede em Porto Alegre
Uma imagem em plano médio mostra quatro pessoas sentadas em poltronas escuras durante um painel na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, com um homem à esquerda e três mulheres ao centro e à direita. A mulher ao centro segura um microfone e fala, enquanto ao fundo se vê uma parede preta com o brasão da República e letras douradas, além de uma tela de projeção à direita exibindo o título Em um plano mais fechado, duas mulheres estão sentadas lado a lado em uma poltrona escura durante o mesmo evento na Justiça Federal. A mulher à esquerda, de cabelos longos e cacheados, segura folhas de papel e fala ao microfone, enquanto a mulher à direita, de cabelos curtos grisalhos e lenço azul, segura folhas de papel e olha atentamente na direção dela.Uma imagem em plano aberto e em perspectiva superior mostra uma palestrante em pé, vista de costas e de perfil à direita, falando ao microfone para uma plateia sentada em um auditório. O público, composto por dezenas de pessoas, está distribuído em fileiras de cadeiras divididas por um corredor central com detalhes em carpete vermelho, sob um teto com iluminação modular quadriculada.Uma imagem em plano aberto e em perspectiva posterior mostra a plateia de costas, sentada em fileiras de cadeiras voltadas para a frente do auditório. Ao fundo, os integrantes da mesa de debate aparecem sentados ao lado de uma tela de projeção iluminada e, mais à esquerda, uma pessoa em pé faz a interpretação em Libras diante de bandeiras oficiais.