TRF4 | Parque Nacional de Aparados da Serra

TRF4 promove audiência sobre disputa entre comunidade tradicional Povo dos Peraus e ICMBio

09/07/2026 - 15h35
Atualizada em 09/07/2026 - 16h17
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Na quarta-feira (8/7), o Sistema de Conciliação da Justiça Federal da 4ª Região (Sistcon), por meio da Comissão Regional de Soluções Fundiárias, promoveu audiência pública preparatória para a mediação em processo que envolve áreas do Parque Nacional de Aparados da Serra, em Cambará do Sul (RS), que são ocupadas pela comunidade tradicional Povo do Peraus.

O evento aconteceu no Auditório do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. A audiência foi coordenada pelo desembargador federal Altair Antonio Gregorio, magistrado coordenador do Sistcon; pela juíza federal Catarina Volkart Pinto, magistrada coordenadora da Comissão de Soluções Fundiárias; e pelo juiz federal Marcelo Cardozo da Silva, magistrado integrante da Comissão.

Participaram da audiência, advogados e membros da comunidade Povo do Peraus; além de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Parque Nacional de Aparados da Serra; do Departamento de Gestão Socioambiental de Povos e Comunidades Tradicionais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (DPCT/MMA); do Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT); do Ministério Público Federal (MPF); da Defensoria Pública da União (DPU); da Procuradoria Regional Federal da 4ª Região (PRF4); e da Procuradoria Regional da União (PRU/AGU).

O evento também contou com espaços para manifestações de especialistas da Superintendência Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); da Emater/RS; da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS); do Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa.

A disputa

A iniciativa da Comissão de Soluções Fundiárias busca mediar um conflito gerado no processo de desapropriação movido pela União em 1959, quando 13 mil hectares foram declarados de utilidade pública para a criação do Parque Nacional, atingindo áreas hoje reivindicadas pela comunidade tradicional.

Parte do território do Parque é hoje ocupado pela comunidade Povo dos Peraus, composta por um grupo de 12 famílias. Para estes moradores, o território não é apenas um recurso econômico, mas um espaço de identidade cultural, cujas práticas ancestrais são fundamentais para a manutenção do ecossistema e do modo de vida que resiste há gerações nos arredores dos cânions.

Para o ICMBio, há necessidade de ser resguardada a proteção integral dos ecossistemas que é assegurada aos Parques Nacionais.

Previamente à audiência de ontem (8/7), a Comissão promoveu, em maio deste ano, uma visita técnica a áreas do Parque Nacional. A partir das observações feitas durante a visita, se iniciou o diálogo preparatório para as sessões de mediação, que servem para alinhar as propostas entre as instituições e a comunidade.

Diálogo e troca de informações

Na abertura do evento, o desembargador Altair Gregório explicou que “após fazer a visita técnica, achamos que uma boa forma de dar seguimento aos trabalhos neste caso seria promover esta audiência pública para dar um encaminhamento a próxima etapa de mediação já munidos de maiores esclarecimentos sobre o conflito”.

O magistrado destacou que a audiência pública “foi pensada para possibilitar a coleta de informações, a troca de ideias e o debate qualificado, tudo isso para contribuir com o bom andamento da mediação no processo, que busca chegar a um denominador comum e construir uma solução adequada para todas as partes envolvidas”.

A juíza Catarina Volkart Pinto abordou o contexto de atuação das Comissões de Soluções Fundiárias no Poder Judiciário. “O objetivo da Comissão é o de buscar, de alguma forma diversa de uma sentença impositiva, uma solução para conflitos fundiários coletivos; assim, a nossa atuação aqui na Comissão é de mediadores que procuram facilitar o diálogo e propiciar um ambiente em que, junto com os atores do processo e com outras instituições e organizações, seja possível, de forma coletiva, encontrar uma solução para o caso”, ela pontuou.

Em seguida, o juiz Marcelo Cardozo da Silva fez um relato sobre o contexto deste processo judicial, avaliando que “o conflito possui uma história de décadas e décadas e passa por gerações, seja de gerações de famílias que residem no Parque, seja de gerações de servidores públicos que atuam no Parque”. Ele ressaltou que a audiência objetiva “democratizar o diálogo e permitir que o conhecimento se transfira de lado a lado com as partes do processo se ouvindo de forma igualitária”.

Após as falas dos magistrados, houve manifestação dos analistas ambientais Claudia Marcia Almeida Rios, Deonir Geolvane Zimmermann e Eridiane Lopes da Silva, do ICMBio e do Parque Nacional de Aparados da Serra. Eles apresentaram dados sobre a criação da unidade de conservação, seus processos de regularização fundiária, aspectos centrais do plano de manejo, sua biodiversidade e sua importância ambiental.

Já os advogados Marcelo Mosmann e Marcela Mascarello, juntamente com membros da comunidade Povo dos Peraus, se manifestaram trazendo informações sobre seu processo de autorreconhecimento enquanto comunidade tradicional, sua relação com o território, seus modos de vida e sua cultura.

A diretora do Departamento de Gestão Socioambiental de Povos e Comunidades Tradicionais do Ministério do Meio Ambiente, Claudia Pinho, falou sobre os processos históricos e sociais de reconhecimento das comunidades tradicionais, bem como sobre as políticas públicas instituídas para a garantia de suas tradições culturais, religiosas, econômicas e territoriais.

Também houve manifestação de Gabrielle Thum, que atua como representante do Povo Pomerano junto ao CNPCT, órgão colegiado integrante do MMA e vinculado à Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais.

No espaço voltado à escuta de especialistas, participaram o professor Eduardo Antunes Dias, chefe da Divisão de Articulação do Rio Grande do Sul (DIAT-RS) da Superintendência Federal do MDA; o professor Dilermando Cattaneo da Silveira, da UFRGS, que coordena o Projeto de Pesquisa “Memória e Natureza nos Aparados da Serra: a pecuária familiar tradicional e as lutas pelo território do Povo dos Peraus”; o técnico agrícola Neimar Fonseca, da Emater/RS; o professor Márcio Zamboni Neske, da UERGS; os representantes do Povo Cigano Sinti Fernando Pires Moraes Aristimunho e Rosecler Winter, do Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa.

ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)


A audiência pública foi realizada na tarde da quarta-feira (9/7)
A audiência pública foi realizada na tarde da quarta-feira (9/7)
A audiência pública foi realizada na tarde da quarta-feira (9/7)Da esq. p/ dir.: juiz federal Marcelo Cardozo da Silva, desembargador federal Altair Antonio Gregorio e juíza federal Catarina Volkart Pinto, coordenaram a audiênciaA audiência pública aconteceu no Auditório da sede do TRF4, em Porto AlegreParticiparam do evento representantes da comunidade tradicional Povo do Peraus, do ICMBio e de diversos órgãos e instituições ligadas ao casoParticiparam do evento representantes da comunidade tradicional Povo do Peraus, do ICMBio e de diversos órgãos e instituições ligadas ao casoParticiparam do evento representantes da comunidade tradicional Povo do Peraus, do ICMBio e de diversos órgãos e instituições ligadas ao casoA Comissão de Soluções Fundiárias atua na mediação do processo que envolve áreas do Parque Nacional de Aparados da Serra que são ocupadas pela comunidade tradicional Povo do PerausMesa com produtos feitos pela comunidade tradicional Povo do PerausO evento contou com espaços para manifestações de diversos especialistas ligados à temática dos Povos e Comunidades Tradicionais