Líder quilombola visita exposição sobre processo que regularizou território da Família Silva
Atualizada em 14/08/2026 - 17h41
A exposição Justiça e Alteridade, do Museu do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), recebeu nesta sexta-feira (14/8) a visita da líder do Quilombo Silva, Lígia Maria da Silva, e dos representantes da Frente Quilombola RS Sérgio Valentim e Onir de Araújo. O grupo veio conhecer a mostra, aberta em maio deste ano, que apresenta, entre seus eixos, o processo judicial relacionado à regularização do território da comunidade quilombola da Família Silva, em Porto Alegre.
Os visitantes foram recebidos pelo coordenador do Sistema de Conciliação do TRF4 (Sistcon), desembargador federal Altair Antônio Gregório; pela coordenadora da Comissão de Soluções Fundiárias do TRF4, juíza federal Catarina Volkart Pinto; e pelas servidoras Tatiana Moraes Manfessoni, chefe de gabinete da Direção-Geral, e Maria Regina Goulart, supervisora do Setor de Memória, que apresentaram a exposição aos visitantes.
Lígia agradeceu pela inclusão do processo na exposição, destacando sua importância para as 22 famílias que vivem atualmente no local. O Quilombo Silva, situado no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre, abriga cerca de 80 pessoas. “Até a regularização do terreno, não tínhamos paz, mesmo morando no local desde os anos 1940, quando meus avós chegaram”, ela relatou. Lígia também relembrou episódios de agressão e tentativas de retirada da comunidade.
Segundo Sérgio Valentim, a exposição do TRF4 é a primeira realizada a partir do acervo reunido pela Frente Quilombola RS, que apoia comunidades quilombolas na defesa de seus direitos. “A musealização dos processos de demarcação é uma forma de demonstrar o que ocorre desde a promulgação da Constituição de 1988”, ele afirmou. O ativista também lembrou que outras comunidades ainda aguardam uma solução para seus processos.
Sobre a mostra
A exposição “Justiça e Alteridade: o TRF4 na proteção do patrimônio comum e das identidades”, que vai até o dia 31 de agosto, está organizada em dois eixos.
“O território em disputa” apresenta as discussões envolvendo o Parque Nacional do Iguaçu e a Estrada do Colono, no Paraná, destacando a prevalência do interesse ecológico e da preservação ambiental; e o processo envolvendo a comunidade quilombola de Porto Alegre, que resultou no reconhecimento do direito à posse da terra em área urbana.
Já o eixo “A voz à diferença” aborda a causa indígena no Rio Grande do Sul, destacando a atuação do tribunal na proteção da dignidade étnica, no respeito à alteridade e no enfrentamento ao discurso de ódio.
ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)
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