TRF4 | JF 4ª Região

Webinário debate acolhimento à neurodivergência e enfrentamento ao capacitismo

28/09/2026 - 16h03
Atualizada em 28/09/2026 - 16h09
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Na última sexta-feira (25/09), o Conversas Necessárias (CN), eixo do Programa Círculos de Conversa, conjuntamente pelo NUJURE/TRF4, CEJUREs, Comissões Permanentes de Acessibilidade e Inclusão (CPAIs) da 4ª Região e pelo Grupo de Trabalho para Ações em Direitos Humanos, Equidade de Gênero, Raça e Diversidades (GTDH), promoveu o webinário "Enfrentando o capacitismo e acolhendo a neurodivergência com informação: como construir pontes entre as necessidades das pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes e as(os) gestoras(es), juízas(es) e servidoras(es)?". Realizado em ambiente virtual via Zoom, o encontro marcou o pré-evento para o "CN Capacitismo e Neurodivergência", que acontecerá na próxima quarta-feira, 30/09, promovido em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

Conscientização e gestão inclusiva

A palestra principal contou com 91 participantes e foi ministrada pela Dra. Katia Herminia Martins Lazarano Roncada, Juíza Federal em São Paulo (TRF3) desde 2002. Com ampla trajetória na gestão pública e na defesa dos direitos humanos, a magistrada atuou como Juíza Auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entre 2023 e 2025, período em que presidiu a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do CNJ e coordenou o Comitê dos Direitos da Pessoa com Deficiência no Âmbito Judicial.

Sobre as neurodivergências, a Magistrada Katia introduziu sua fala mencionando que “a neurodiversidade deve ser reconhecida como expressão legítima da condição humana, contribuindo para uma sociedade plural, democrática e justa. O autismo não é falha, mas diferença - e sua afirmação é parte do exercício pleno da cidadania.”

Durante a apresentação, a palestrante destacou dados de recentes pesquisas* que demonstram que a quase totalidade (94,96%) de pessoas que atuam diretamente no Judiciário (juízas/es, servidoras/as e advogadas/os) entende que é necessária capacitação para atender pessoas com deficiência. Ela enfatizou que o tratamento com solidariedade e empatia não chega a ser suficiente, pois muitas vezes invisibiliza e infantiliza a pessoa com deficiência, retirando-lhe autonomia e voz. 
Assim, o reconhecimento dessas barreiras atitudinais sublinha a urgência de uma transformação cultural e estrutural dentro do sistema judiciário. A falta de preparo e empatia, além de criar barreiras práticas para o acesso a serviços essenciais, perpetua a estigmatização e a exclusão das pessoas com deficiência.

Por outro lado, a palestrante concluiu que a garantia de direitos, baseia-se no respeito às diferenças e no desenho universal e tem como efeito estrutural a visibilidade, autonomia e protagonismo da pessoa com deficiência.

Sensibilidade em notas musicais

O evento contou com uma apresentação cultural do servidor e compositor Rômulo Chaves, da Justiça Federal da 4ª Região. Rômulo apresentou a canção "Espectro", dedicada ao filho, trazendo um momento de sensibilidade e reflexão sobre a vivência da neurodivergência e sua percepção sobre o mundo. 

A canção pode ser acessada pelo link https://www.youtube.com/watch?v=V8AWKjbDieA 

*Diagnóstico sobre acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência nos órgãos do Poder Judiciário e Estudo empírico das demandas envolvendo pessoas com deficiência. 

 

Fonte: Sistcon/TRF4
 

ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)


Em evento online, participantes debatem o tema