2005 — Porteiras abertas
Há um momento em que uma escola compreende que crescer não significa apenas fortalecer suas próprias raízes, mas permitir que novos caminhos se cruzem. Em 2005, a EMAGIS abriu suas porteiras. O conhecimento passou a circular com mais intensidade entre pessoas, instituições e experiências, acompanhando uma Justiça Federal que também se transformava e descobria novas formas de servir à sociedade.
A implementação da Reforma do Judiciário, iniciada pela Emenda Constitucional nº 45, inaugurava um tempo de mudanças profundas. O recém-criado Conselho Nacional de Justiça introduzia uma nova cultura de gestão, enquanto os Juizados Especiais Federais ampliavam sua atuação e as primeiras experiências com o processo eletrônico (e-Proc) começavam a modificar a rotina da Justiça Federal da 4ª Região. Novas ferramentas surgiam, mas, sobretudo, consolidava-se uma nova maneira de pensar a prestação jurisdicional.
A EMAGIS acompanhou esse movimento sem perder de vista aquilo que lhe era essencial: formar pela convivência, pela reflexão e pelo compartilhamento de experiências. O Currículo Permanente ampliou seu alcance, percorreu diferentes áreas do Direito e fortaleceu a integração entre magistrados de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, aproximando realidades distintas em torno de um mesmo compromisso institucional.
As atividades daquele ano refletiram essa abertura. Conciliação, processo civil, energia, meio ambiente e os Juizados Especiais Federais estiveram entre os temas que mobilizaram cursos e encontros, sempre voltados aos desafios concretos enfrentados pela magistratura. O Curso de Formação Inicial de Juízes Federais Substitutos, por sua vez, acolheu uma nova geração de magistrados, transmitindo não apenas conhecimentos, mas uma forma de compreender a própria missão da Justiça Federal.
As porteiras também se abriram para além das fronteiras nacionais. As Primeras Jornadas de Magistrados y Funcionarios Judiciales del Mercosur reuniram representantes de diferentes países, fortalecendo o intercâmbio de experiências e demonstrando que muitos dos desafios enfrentados pelos sistemas de Justiça eram compartilhados. A cooperação regional deixava de ser uma aspiração distante para tornar-se uma prática concreta.
Enquanto isso, a Revista de Doutrina consolidava-se como um espaço de reflexão sobre um Direito em constante transformação. As discussões sobre a Reforma do Judiciário, o processo eletrônico, os direitos fundamentais, as políticas públicas e tantos outros temas revelavam uma publicação comprometida com seu tempo e aberta à pluralidade de ideias.
Ao lado da continuidade da Revista do TRF4, do Boletim Jurídico e da realização do XII Concurso para Juiz Federal Substituto, a Escola ampliava sua presença na vida institucional da Justiça Federal. As porteiras abertas em 2005 nunca mais voltariam a se fechar. Por elas circulariam ideias, experiências e pessoas; chegariam novos desafios e partiriam novas respostas. Afinal, toda escola se constrói entre aquilo que preserva e aquilo que se permite descobrir.
Gestão e equipe do biênio
Direção
Servidores
Maria de Fátima de Goes Lanziotti
Eliane Maria Salgado Assumpção
Alberto Pietro Bigatti
Marta Freitas Heemann
Eliana Raffaelli Lopes
Rodrigo Meine
Rosangela Noal Kersten
Ana Lúcia Ebling Andrade
Isabel Cristina Lima Selau
Maria Luiza Bernardi Fiori Schilling
Maria Aparecida Correa de Barros Berthold
Giovana Torresan Vieira
Arthur Baldazzare Costa
Paula Neves Travi
Daniela Tagliari Kreling Lau
Leonardo Schneider
Arlete Hartmann
Artur Felipe Temes
Estagiários
Alencar Swidzikiewicz
Anderson Dutra Fagundes
Henrique Bauce Alves
Cursos e Eventos
Publicações
Revista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região
Boletim Jurídico
Revista de Doutrina
Concurso

A Expansão e Sucesso do Currículo Permanente
Após a estreia histórica com o módulo de Direito Tributário no ano anterior, 2005 foi o ano em que o programa do Currículo Permanente se firmou definitivamente como a espinha dorsal da formação continuada do tribunal. A metodologia modular provou ser um sucesso tão grande entre os juízes que o projeto foi expandido para novas áreas do Direito, como o Direito Previdenciário e Administrativo, garantindo a atualização constante dos magistrados perante as rápidas mudanças legislativas.
Consolidação das Estruturas dos JEFs e Processo Eletrônico
Este período também foi marcado por uma profunda adaptação da magistratura à nova realidade dos Juizados Especiais Federais (JEFs). Com a massificação do atendimento ao cidadão e a adoção pioneira de sistemas de processo eletrônico (e-Proc) nos juizados, a Emagis direcionou seus esforços institucionais para debates sobre a uniformização de jurisprudência e a gestão dessas novas varas virtuais e simplificadas, que mudaram a face da Justiça Federal na 4ª Região.
Fortalecimento da Rede Integrada do Sul
O modelo de encontros rotativos, passando por Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, tornou-se a norma em 2005. Isso permitiu quebrar o isolamento dos juízes que atuavam no interior dos três estados, criando uma verdadeira rede de partilha de experiências e uniformização de procedimentos em toda a Região Sul.



