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Malefícios do uso excessivo de celulares é tema de palestra no TRF4

02/06/2014 - 18h29
Atualizada em 02/06/2014 - 18h29
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“Quando o celular chegou ao Brasil, foi vendido com a promessa de resolver os problemas de comunicação com locais inacessíveis. Mas com o tempo foi passando a ser visto como um objeto de consumo, alvo do desejo de adultos e até mesmo de crianças. A situação atual é que estamos todos induzidos a utilizar cada vez mais essa tecnologia com o mínimo de informação sobre os seus malefícios e prejuízos.”

O alerta é da conselheira da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) Ana Maria Daitx Valls Atz, que palestrou hoje (2/6) à tarde no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

A farmacêutica-bioquímica formada pela UFRGS e especialista em Toxicologia Aplicada pela PUCRS falou sobre os efeitos nocivos causados pela poluição eletromagnética do uso de celulares à saúde do ser humano para um público de magistrados e servidores no auditório do tribunal.

Ela explicou que esse tipo de aparelho, em conjunto com as torres de transmissão chamadas de Estações Rádio Base (ERBs), emite ondas eletromagnéticas não-ionizantes que, em carga excessiva, podem alterar o organismo humano.

“As radiações do celular entram em conflito com as próprias radiações que o nosso corpo emite e isso coloca em risco a saúde. Vários estudos e pesquisas médicas realizadas nas últimas décadas comprovam que as ondas dos aparelhos celulares ocasionam vários efeitos biológicos”, ressaltou a palestrante.

Ana Maria revelou que os problemas não são restritos a apenas uma parte do corpo humano. “As antenas de celular e as ERBs estão constantemente emitindo radiações em todas as direções possíveis atingindo o nosso corpo inteiro. Não é apenas o cérebro humano que absorve essas ondas, mas também os olhos, o coração, a pele, o sistema nervoso, enfim o organismo como um todo é prejudicado”, reforçou.

Ela observou que dados de diversos estudos analisados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para a ocorrência de uma série de doenças e problemas de saúde relacionados à poluição eletromagnética em populações que fazem uso massivo do celular ou que vivem próximas à ERBs.

“Dores de cabeça, exaustão crônica, insônia, ansiedade, problemas cardíacos, flutuações de pressão sanguínea, enfartes, derrames, doenças cerebrais degenerativas, leucemias e tumores malignos são alguns do males provenientes do excesso de poluição eletromagnética que foram comprovados nas pesquisas”, enumerou a especialista.

Para tentar combater esses problemas, Ana Maria aconselhou uma mudança de postura e de hábitos em relação ao uso dos telefones celulares. Ela sugeriu medidas como uma redução do tempo de uso do celular, utilizar o aparelho com uma distância segura da orelha, adotar a função de viva-voz ou de fone de ouvido para as conversas, desligar o celular durante a noite e mantê-lo longe da cama.

“Lembrem-se como regra geral: quanto mais distante nos mantivermos dos celulares e das torres de transmissão é melhor para a nossa saúde. O ideal é que todos façam o menor uso possível desse tipo de tecnologia”, avaliou Ana Maria. A palestrante concluiu com um aviso: “A poluição eletromagnética é uma poluição invisível, nós não estamos a vendo diretamente, mas isso não muda o fato de que ela nos afeta o tempo inteiro”.

Palestra aconteceu no auditório do TRF4