TRF4 | Solução consensual

TRF4 e TJPR homologam acordo histórico que encerra conflito fundiário no Paraná

19/01/2026 - 17h05
Atualizada em 19/01/2026 - 18h59
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Na última quinta-feira (15/1), o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) homologaram um acordo que encerra um dos maiores e mais antigos conflitos fundiários do estado do PR, envolvendo áreas localizadas nos municípios de Rio Bonito do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu e Nova Laranjeiras. A solução consensual foi construída ao longo de sucessivas sessões de mediação conduzidas pela Comissão Regional de Soluções Fundiárias (CRSF) do TRF4 e pela Comissão de Soluções Fundiárias (CSF) do TJPR.

No local desse conflito, na região Oeste do PR, é desenvolvido o projeto Multiplicadores e Multiplicadoras da Paz, iniciativa inédita de Justiça Restaurativa, que busca a pacificação comunitária em toda a região. O projeto foi promovido a partir de parceria entre o TRF4 e o TJPR e foi reconhecido nacionalmente com o Prêmio Conciliar é Legal – Edição XV, concedido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O trabalho de mediação conduzido nesse caso teve início há mais de três anos e envolveu uma ampla articulação entre instituições públicas e as partes diretamente envolvidas no conflito.

A coordenadora da Comissão do TRF4, juíza federal Catarina Volkart Pinto, destacou a importância do acordo. “Esse conflito fundiário era um dos mais emblemáticos que tínhamos aqui na 4ª Região, não só pela dimensão territorial, mas por se prolongar por décadas e por ter gerado inúmeros outros conflitos nas relações comunitárias locais. A partir da iniciativa da Comissão de Soluções Fundiárias do TJPR fomos chamados a atuar conjuntamente, tendo em vista a presença de ente público federal. Além disso, foi a partir desse conflito, que desenvolvemos o projeto Multiplicadores e Multiplicadoras da Paz, que objetiva pacificar as relações comunitárias locais para além da questão fundiária em si”, ela avaliou.

A magistrada ainda apontou que “o acordo é fruto do esforço de inúmeros órgãos públicos e da compreensão de que somente uma solução de consenso seria capaz de pacificar a região”.

Já o desembargador Fernando Antonio Prazeres, presidente da Comissão do TJPR, ressaltou que o processo exigiu escuta qualificada, presença constante nas áreas em disputa e diálogo contínuo. “Iniciamos a mediação há mais de três anos. Foram dezenas de reuniões com órgãos federais, estaduais e municipais, além de diversas visitas às áreas de conflito e um intenso trabalho de escuta ativa, não apenas das famílias que ocupavam as áreas da Araupel, mas também da direção da empresa. O acordo abrange mais de 54 mil hectares e vai beneficiar diretamente quase 4 mil famílias. A Comissão sempre apostou no diálogo e na compreensão de que somente o consenso, construído pelos próprios interessados, poderia pôr fim a um conflito que já atingia pelo menos três gerações”, ele declarou.

Regularização fundiária

O acordo põe fim a litígios que se estenderam por décadas e prevê a regularização definitiva de assentamentos rurais e a criação de novos projetos de assentamento, com impacto direto para mais de 3.200 famílias, o que representa cerca de 10 mil pessoas beneficiadas, além de reflexos sociais e econômicos relevantes para os municípios envolvidos.

O acordo envolve um complexo de ocupações rurais de acampamentos e assentamentos. Os assentamentos correspondem às áreas já regularizadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), enquanto os acampamentos passarão, a partir da homologação, por processo de formalização administrativa.

Com a efetivação do acordo, o Incra dará início à criação dos projetos de assentamento e à abertura de editais de seleção das famílias beneficiárias. A área total abrangida ultrapassa 57 mil hectares, distribuídos entre os assentamentos Celso Furtado, Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio, Dom Tomás Balduíno e 10 de Maio.

Das famílias beneficiadas pelo acordo, 1.168 já se encontram assentadas e terão a situação regularizada de forma definitiva, enquanto 1.994 famílias atualmente acampadas passarão a integrar os novos assentamentos.

A regularização fundiária permitirá a ampliação do acesso das famílias a políticas públicas essenciais, como fornecimento regular de energia elétrica e água, acesso a crédito rural, financiamentos e programas de incentivo à produção agrícola. A expectativa é de fortalecimento da economia local, com aumento do consumo, da prestação de serviços e de investimentos produtivos nas áreas regularizadas.

Para os municípios envolvidos, o acordo representa um avanço significativo no desenvolvimento regional e contribui para a pacificação social em regiões historicamente marcadas por conflitos fundiários.

Participaram da mediação: o presidente da CRSF e coordenador do Sistema de Conciliação (Sistcon) do TRF4, desembargador federal Altair Antônio Gregório; a coordenadora da CRSF/TRF4, juíza federal Catarina Volkart Pinto; o presidente da CSF/TJPR, desembargador Fernando Antonio Prazeres; a secretária da CSF/TJPR, Patrícia Elache Gonçalves Dos Reis; a procuradora-chefe do Incra, Maria Rita Reis; o procurador regional da República, Marcus Vinícius Aguiar Macedo; além de representantes da União, da Araupel, da Rio das Cobras Florestal Ltda e das famílias acampadas.

Com informações da Assessoria de Comunicação do TJPR

ACS/TRF4  (acs@trf4.jus.br)


Vista aérea de parte do local no PR envolvido no acordo
Vista aérea de parte do local no PR envolvido no acordo
Vista aérea de parte do local no PR envolvido no acordoO acordo foi construído com a participação de representantes de diversos órgãos públicosNo local do conflito, no Oeste do PR, é desenvolvido o projeto Multiplicadores e Multiplicadoras da Paz, iniciativa de Justiça Restaurativa que busca a pacificação comunitária em toda a região