Jornalista Cristina Fibe grava Ouvicast e participa de roda de conversa com gestoras do tribunal
Atualizada em 18/08/2026 - 17h58
A Ouvidoria da Mulher do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) recebeu nesta terça-feira (18/8) a jornalista e escritora Cristina Fibe, autora do livro “João de Deus: o abuso da fé”. Ela veio ao tribunal compartilhar sua experiência sobre o tema, no qual vem se especializando desde a reportagem feita sobre o médium de Abadiânia (GO) em 2018. Pela manhã, Fibe gravou um episódio do Ouvicast com a ouvidora do tribunal, desembargadora federal Ana Cristina Ferro Blasi, no estúdio do TRF4, e à tarde participou de uma roda de conversa com gestoras da corte, no Gabinete da Ouvidoria.
No encontro, além de explicar como foi realizada a investigação do caso, a jornalista pontuou o quanto ainda é preciso educar a sociedade para enfrentar a questão. “Quando comecei a ouvir as vítimas percebi que eu precisava aprender sobre como escutar, como acolher, como não revitimizar a mulher que sofreu abuso, precisei fazer o meu letramento e percebi o quanto é importante levar adiante esse conhecimento”, destacou Fibe.
Após deixar o jornal “O Globo”, para o qual fez a reportagem denunciando o caso, Cristina se dedicou ao tema e criou uma audiossérie para a Revista “Piauí” que leva o nome “Silenciadas”, na qual revela os bastidores de investigações jornalísticas sobre crimes sexuais no Brasil. Ela pontuou a dificuldade que ainda encontram para enfrentar e denunciar estruturas de poder, mas que o trabalho contínuo de diálogo com mulheres salva vidas.
“Cada conversa, cada situação debatida, pode estar ajudando a salvar vidas”, ela afirmou, agradecendo a oportunidade de trocar ideias e ajudar na mudança de cultura. “Isso que estamos fazendo aqui é revolucionário”, declarou Fibe.
Conscientização e união
A ouvidora do TRF4 coordenou o encontro e enfatizou a importância da conscientização e da união feminina no combate à violência de gênero. “Queremos fazer do tribunal um lugar seguro e acolhedor para nossas mulheres. Estamos atentas às situações de violência e contamos com a colaboração de todas para detecção de indícios de sofrimento por violência, seja no trabalho ou em ambiente doméstico”, ela afirmou, pedindo atenção quando há alteração de produtividade, faltas injustificadas e mudanças de comportamento.
Ana Blasi também apresentou a nova Sala de Escuta da Ouvidoria, um espaço destinado ao acolhimento de mulheres e ao fortalecimento das ações de prevenção e enfrentamento à violência. A sala, com portas duplas e isolamento acústico, permite acesso privativo. “As situações de violência estão em todas as idades e classes sociais, podendo atingir magistradas, servidoras e terceirizadas, e aqui podem ser acolhidas, escutadas e encaminhadas”, explicou a desembargadora.
Ao encerrar o encontro, a ouvidora reforçou a importância da solidariedade entre as mulheres, destacando que a publicação da Resolução nº 679/2026 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que disciplina o tratamento de casos de violência doméstica e familiar contra a mulher no Poder Judiciário, deve ser celebrada como um marco sobre o tema. “Que sejamos umas pelas outras”, concluiu Ana Blasi.
ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)









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