Luiz Carlos Canalli toma posse como desembargador do TRF4 e fala da grave crise moral que vive o país

15/09/2017
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O juiz federal Luiz Carlos Canalli tomou posse nesta tarde (15/9) como desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). A solenidade ocorreu no Plenário do tribunal, em Porto Alegre, e foi coordenada pelo presidente da corte, desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores.

A cerimônia iniciou com a condução do magistrado ao Plenário pelas desembargadoras Marga Barth Tessler e Salise Monteiro Sanchotene. Ele renovou o juramento e assinou o termo de posse.

O desembargador federal João Pedro Gebran Neto falou ao novo colega em nome da corte. “O momento é de alegria e renovação. Lembramos com saudades do desembargador Otávio Roberto Pamplona, que partiu prematuramente, e cuja cadeira será agora preenchida. O que nos conforta é saber que o seu assento será ocupado por outro catarinense de igual envergadura”, iniciou o desembargador.

Segundo Gebran, Canalli tem espírito humilde e conciliador. Para ilustrar essa afirmação, o palestrante contou casos enfrentados pelo colega no decorrer de seus anos na magistratura federal, vividos em Umuarama (PR), sendo um deles uma difícil negociação entre índios e um fazendeiro no interior daquele estado.

“Sempre atendeu com humildade e sabedoria as pessoas simples que buscavam sua atuação”. Para Gebran, esses atributos são indispensáveis no momento atual, “no qual a sociedade se encontra devastada e sucumbindo ao catastrofismo”. “Canalli é uma pessoa afável, mas enérgica, com profundo conhecimento jurídico, requisitos fundamentais para a reconstrução da crença em dias melhores”, concluiu o desembargador.

Discurso de Canalli

O novo desembargador agradeceu à família, amigos e colegas e lembrou com pesar o falecimento do colega que o precedeu. “Sua passagem não será esquecida, pois sua dedicação à causa da Justiça sempre será lembrada como um exemplo para todos nós. Homem de confiança e verdadeiro, com postura humanitária e digna”, afirmou Canalli, emocionado.

Para o desembargador, ainda que existam razões para as críticas da sociedade ao Poder Judiciário, que apontam a postura elitista da magistratura, a morosidade e a impunidade em matéria penal, no âmbito da Justiça Federal existe uma postura de busca da efetividade. “Embora as críticas não sejam desprovidas de veracidade, é preciso reconhecer o esforço da magistratura para dar efetividade às decisões judiciais. Nossa maior angústia ocorre quando não podemos oferecer uma tutela jurisdicional de qualidade”,  observou. 

Canalli falou ainda do contexto atual que vive o país. “Vivemos dias estranhos. Parece que grande parte da classe política e dos administradores públicos perdeu a noção do que é certo e do que é errado, entregando-se à corrupção. A população assiste perplexa, malas e malas de dinheiro sendo descobertas em esconderijos. Em nenhum outro momento de nossa história passamos por uma crise moral tão grave”, lamentou.

Quanto à Operação Lava Jato, o novo desembargador apontou para a prisão após o julgamento em segunda instância como a forma de combater a corrupção sistêmica no Brasil. “Vimos grandes empresários presos. Entretanto, aqueles que gozam de foro privilegiado, na maioria, ainda seguem sem punição. Se corruptos e corruptores permanecerem presos, a punição servirá de exemplo, sendo a forma de combater a impunidade. Espero que o cumprimento da pena em segunda instância seja mantida pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou Canalli com veemência.

O novo desembargador concluiu dizendo que se orgulha de pertencer aos quadros da Justiça Federal da 4ª Região e elogiou o tribunal pela atuação firme e dinâmica que tem tido no grave momento que o país passa. “A participação da Justiça Federal da 4ª Região tem sido crucial nesta crise moral que se atravessa, sendo sua atuação essencial para que, o que assistimos hoje, um dia seja parte de um passado distante. Que aqueles que por tanto tempo pairaram sobre as leis sejam exemplarmente punidos pelos seus atos”, concluiu.

Thompson Flores encerrou a solenidade dando boas vindas ao novo integrante e agradecendo seu pronunciamento. “Essas palavras ditas pelo colega são os sentimentos de toda a sociedade. O magistrado bem interpretou o espírito que o país vive e seu discurso servirá de inspiração para cumprirmos da forma mais efetiva nosso papel”.

O presidente do tribunal acrescentou que a falta de efetividade é a raiz dos males. “Uma parte da solução cabe a nós, outra  parte ao poder legislativo, que precisa nos dar os instrumentos legais para que as decisões possam ter eficácia sem violação aos direitos fundamentais”, completou Thompson Flores.

 

*Fotos da solenidade em alta resolução disponíveis no Flickr do TRF4