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Justiça Federal decreta prisão de líder do esquema de agiotagem em Bagé

04/07/2000 - 14h41
Atualizada em 04/07/2000 - 14h41
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O juiz da Vara Federal de Bagé (RS), Roger de Curtis Candemil, decretou ontem (03/07) à noite a prisão de Volme Lemos Silva, conhecido por Brito, principal líder do esquema de agiotagem que operou no município entre 1992 e 1997, quando foi "estourado" pela Polícia Federal. Nesse período, a organização criminosa movimentou mais de R$ 35 milhões. A ordem já foi cumprida e Brito está recolhido no Presídio Regional de Bagé desde a manhã de hoje (04/07). Ele foi condenado por Candemil a 11 anos e quatro meses de reclusão e ao pagamento de 15.150 salários mínimos vigentes no final de 1994. A sentença de ontem também condenou o assessor de Brito, Paulo Roberto da Silva Gonçalves, a pagar multa de 25 salários mínimos pelo valor da época, mas concedeu o benefício da substituição da pena de dois anos de reclusão - que lhe foi imputada por facilitação de crime - pela prestação de serviços à comunidade. O juiz determinou ainda a perda, em favor da União, de diversos imóveis do líder do esquema. Os dois réus foram denunciados pelo Ministério Público à Justiça Federal pela operação, na região de Bagé, de uma estrutura que, sem a devida autorização legal, se equiparava a uma instituição financeira, oferecendo a investidores uma taxa de juros mensal de 15% para captar recursos que eram emprestados a outros, de quem exigia o pagamento de juros de 16% a 30% ao mês, em desacordo com a legislação. Eles também foram acusados de estelionato e ocultação de bens provenientes de crime contra o sistema financeiro nacional. Entre 1993 e 1997, Volme Lemos Silva emitiu mais de 16 mil cheques, muitos dos quais foram dados como garantia aos investidores e, não sendo pagos, resultaram na "falência" da sofisticada estrutura de negociações. A "quebra" do esquema de agiotagem, no final de 97, teve grande repercussão social e econômica em diversas cidades da região - como Candiota, Pinheiro Machado e Lavras do Sul, além de Bagé -, pois prejudicou milhares de moradores que haviam investido dinheiro para obter rendimentos muito acima dos que eram pagos pelo mercado financeiro formalmente estabelecido. Foram lesados desde pequenos poupadores, que perderam as parcas economias de toda a vida, até pessoas que venderam tudo - inclusive terras e gado - para aplicar na "instituição". Há um ano, foi noticiada a criação, em Bagé, da Associação das Vítimas da Agiotagem, cujo objetivo é buscar a indenização dos aplicadores atingidos. (04/07)